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Location Managers´ Tour
 

Visita de Location Managers do Reino Unido

Assegurando que a aliança mais antiga do mundo siga bem viva e forte, a iniciativa mais recente da Câmara de Comércio Luso-Britânica tocou desta vez uma área pouco tradicional na sua acção, mas de inegável potencial para o País. Destinada aos profissionais do ramo cinematográfico e à promoção do Film Tourism em Portugal, esta iniciativa traduziu-se numa visita ao distrito de Lisboa, tendo como convidados um grupo de Location Managers do Reino Unido, e materializando-se com o apoio do Turismo de Lisboa.

A ideia surgiu de uma conjunção de notícias e contactos sobre o meio audiovisual em Portugal que levaram a Câmara de Comércio a acreditar ser a altura ideal para uma acção do género. Um contacto com a Guild of Location Managers no Reino Unido, a associação que reune os profissionais responsáveis pela selecção e gestão dos locais utilizados para filmagens, confirmou o potencial anteriormente identificado.

Depois de alguns contactos com instituições várias, a Câmara de Comércio entabulou conversações com o Turismo de Lisboa, na pessoa da Drª Paula Oliveira, que deu todo o apoio a esta iniciativa, quer a nível financeiro, quer logístico.

No dia 18 de Maio, logo depois de terem aterrado no aeroporto da Portela, o grupo constítuido por seis Location Managers, em conjunto com representantes da Câmara de Comércio Luso-Britânica e do Turismo de Lisboa embarcou numa visita de quatro dias que pretendia mostrar e destacar a diversidade e potencial da cidade para filmagens.

O primeiro dia da visita foi dedicado a explorar e absorver os ambientes diferentes do centro da cidade. Na Graça, o grupo aproveitou a vista do Miradouro da Senhora do Monte cuja espectacular perspectiva sobre a cidade realça as cores vivas dos telhados de terracota contra a intensidade do azul do Tejo.

O ambiente único do bairro mais antigo da cidade, Alfama, impressionou fortemente os visitantes, com a sua estrutura árabe evidenciada pelo labirinto de becos sinuosos, pequenos arcos e escadinhas. Recentemente enfeitado com fitas coloridas para as festas populares e animado pelos seus moradores, o bairro revelou-lhes muitos locais secretos e idílicos, perfeitos para serem capturados pelas suas câmaras que não paravam de disparar.

O percurso para o Castelo de São Jorge permitiu-lhes reparar mais detalhadamente na arquitectura à sua volta, sendo particularmente apelativas as fachadas das casas, os azulejos brilhantes e os emblemáticos eléctricos que iam passando. O castelo medieval, uma presença sempre dominante no horizonte, oferecia um pano de fundo impressionante tal como se de uma cena autênticamente histórica se tratasse.

Na Baixa, o contraste entre os dois bairros relativamente ao padrão e organização das ruas tornou-se evidente. O grupo gostou da justaposição dos prédios e a ménage encantadora entre a modernidade e tradição. Achavam que as ruas e cafés à volta da Praça do Rossio com o seu estilo Art Deco evocavam as decádas de 1920 e 1930 e que tinham um ar parisiense, por causa das avenidas largas e verdejantes, cuja beleza era ainda mais acentuada pelos jacarandás que nesta altura as adornam de flores.

O grupo teve também a oportunidade de visitar o teatro de São Carlos cujo estilo neoclássico, com influência italiana do teatro della Scalla de Milão, e o seu luxuoso interior rococó, constitui um cenário faustoso.

No Miradouro de São Pedro de Alcântara apreciou-se um magnífico panorama da cidade que se lhes afigurou uma ferradura ou anfiteatro, por causa das suas sete colinas, dando-lhes mais uma perspectiva para contemplar e alimentar as suas imaginações criativas, enquanto tentavam compartimentalizar todos os diversos e atraentes elementos que tinham visto.

A última paragem do dia, digna de destacar, teve lugar no Hotel Ritz. Inaugurado na decáda de 1950, brinda o visitante com vistas deslumbrantes e uma decoração tradicional e romântica. A vista panorâmica do telhado do hotel proporcionou-lhe mais uma oportunidade para perceber a dimensão e composição da cidade.

O jantar do primeiro dia foi generosamente patrocinado pelo Artist’s Group no charmoso restaurante “Santo António de Alfama”, onde o grupo desfrutou de uma noite autênticamente Alfacinha. Foi também uma oportunidade para ouvir em primeira mão as realidades e aspectos prácticos envolvidos na realização de um projecto cinematográfico ou publicitário em Portugal. O amplo conhecimento e experiência do Artist’s Group foi instrumental na compreensão das múltiplas vantagens e a facilidade de utilizar Lisboa como um destino para filmagens.

O segundo dia da visita comecou cedo e o grupo de Location Managers partiu do Hotel NH Parque cheio de expectativa. A primeira paragem, o Mercado da Ribeira, assemelhava-se a uma pequena cidade com quiosques que vendiam um leque exótico e colorido de produtos, podendo apreciar-se do segundo andar do prédio as amplas vistas e espaço acessível que passam de outra forma despercebidas diante do bulício diário.

Durante a viagem para Cascais, as grandes mansões, as casas pintadas de cores de pastel que dão para a marina e a imponente citadela, já utilizada em filmagens, estimularam a imaginação.

O Cabo da Roca trouxe a surpresa de se encontrarem no ponto mais ocidental da Europa. A paisagem diversa desta zona que inclui dunas, belas praias, quintas e colinas cobertas de pinheiros verdes como se de uma enorme manta se tratasse, deixou-os estupefactos. Apenas a uma hora de Lisboa, era como se tivessem chegado ao fim do Mundo, onde a massa de terra choca de forma dramática com o Oceano Atlântico.

O magnífico e impressionante Palácio de Seteais, hoje explorado como hotel de luxo pelo grupo Tivoli, foi o local do almoço, seguido por uma visita guiada que lhes revelou a geral opulência do local, tendo os jardins e a incrível panorâmica sobre o mar, Palácio da Pena e Castelo dos Mouros sido eleitos como favoritos.

Depois do saboroso almoço iniciou-se a exploração da região verdejante de Sintra. Esta localidade, há séculos tão cobiçada, conseguiu seduzir estes profissionais pelas suas qualidades mágicas e carácter surreal, graças aos seus palácios, castelos e luxuriante floresta. A Quinta da Regaleira transportou-os a outra realidade, como se de outro país e tempo se tratasse, tendo todos lamentado o facto de não a poderem explorar na sua totalidade.

Sintra afigurou-se-lhes um local único, cuja proximidade a Lisboa os intrigou imenso, sobretudo pelo facto do local ainda não ter sido devidamente explorado no grande ecrã, suscitando discussões quanto ao seu potencial infinito.

A sua localização, porém, levantou algumas questões prácticas: equacionaram-se os problemas de acesso, caso fosse necessária a circulação de grandes autocarros cheios de equipamento, bem como a questão da iluminação do local. Também foi discutida a viabilidade de fechar o centro da vila, tendo em consideração a popularidade do local junto dos turistas e qual seria o custo de recompensar aos donos das lojas e restaurantes das áreas afectadas.

O Palácio Nacional de Mafra figurou como a próxima paragem do dia. Considerado uma das sete maravilhas de Portugal, a parte do palácio que mais impacto causou foi o maior tesouro de Mafra – a biblioteca. Com um chão de mármore em rosa, cinzento e branco, estantes de madeira em estilo rococó e uma coleção invejável de quase 40,000 livros com encadernações em couro gravadas a ouro, a grandiosidade da sala é simplesmente inesquecível.

Daí o grupo partiu para a exuberante Quinta dos Loridos, no Bombarral, pertencente ao empresário Joe Berardo. O local, repleto de imponentes templos, estátuas de Buda, Kali e centenas de pequenos soldados em terracota, é no mínimo, inesperado e à sua maneira, grandioso, tendo despertado no grupo sentimentos díspares. No entanto, todos concordaram que tinha sido uma experiência surpreendente e absolutamente inesquecível.

O dia terminou na vila medieval de Óbidos. O romântico local pinta uma cena pitoresca graças às suas calçadas, casas coloridas, janelas floridas e azulejos brilhantes, distantes das influências modernas, conservando por isso uma autenticidade facilita as filmagens.

Depois de terem sido descritas as várias produções das quais Óbidos tem sido palco pela representante da Câmara Municipal, a Drª Paula Ganhão, o grupo de Location Managers regressou a Lisboa satisfeito com o facto de que a localidade coopera activamente com a sua indústria, dando as boas-vindas a todos os projectos do género.

O terceiro dia da visita pretendia mostrar ainda mais da cidade e levou-os primeiro, e a seu pedido, a espaços próximos do Aqueduto das Águas Livres, que o grupo reconheceu como tendo inúmeros elementos que podiam ser potencialmente úteis. A sessão fotográfica foi uma aventura, incluindo momentos de verdadeiro perigo, enquanto alguns elementos do grupo fugiam ao constante tráfego automóvel para capturar uma imagem que consideravam perfeita. Alguns deles mostravam-se excitados com os múltiplos elementos constantes no local como, por exemplo, os bairros de lata, a moderna estação de Campolide e a vegetação luxuriante de Monsanto; outros visualizavam já uma perseguição automóvel por entreas ruas que serpenteiam entre os prédios.

De seguida, o grupo desfrutou de uma visita privada aos bastidores da Praça de Touros do Campo Pequeno. Visitaram a área onde os touros esperam para entrar na arena - um local cujas partições metálicas evocam uma sensação cliníca e estéril, que na opinião dos profissionais, seria ideal para um filme de horror. Gostaram em particular a utilização eficaz do espaço e ficaram surpreendidos ao verem os planos da construção do prédio em termos da sua imensa profundidade.

Dado um dos visitantes ser especializado em filmagens em ferrovias, abordou a Câmara de Comércio sobre a possibilidade de entrar em contacto com o Metropolitano de Lisboa, pedido que foi prontamente acedido.

As filmagens neste tipo de infra-estruturas tem vindo a tornar-se cada vez mais difícil, não só pelas óbvias questões de segurança e comodidade dos utentes, mas também pela crescente segmentarização do sector no Reino Unido e noutros países, e por esse motivo que os profissionais estão em constante busca por alternativas.

A reunião realizou-se enquanto o restante grupo aproveitava para conhecer um pouco melhor a zona circundante ao Campo Pequeno e teve resultados muito satisfatórios, já que a disponibilidade dos responsáveis pelo Metropolitano de Lisboa para analisar futuras propostas foi total.

Uma espreitada ao recém-inaugurado Altis Hotel e Spa em Belém deixou-os estupefactos perante a sua localização incomparável. O desenho vanguardista e estilo contemporâneo e sofisticação das curvas, formas e cores deste charmoso hotel brinda o visitante com vistas sobre o rio e marina do Bom Sucesso, potencialmente capazes de gerar cenas memoráveis.

A surpresa do dia veio com a visita à imponente Quinta do Calhariz em Azeitão, onde o grupo foi recebido com a maior simpatia pelo actual Marquês de Palmela, D. Pedro, que os brindou com histórias e memórias da sua infância e juventude, ilustradas com a visita ao antigo solar da família, onde chegara a pernoitar Sua Majestade, a Rainha Isabel II.

A parte da tarde permitiu o acesso à Serra da Arrábida, com vegetação mediterrânea primitiva e diversa, e proporcionou cenas pitorescas cheias de rochedos dramáticos, praias escondidas e águas transparentes.

O regresso a Lisboa fez-se pela ponte Vasco de Gama, sob o sol poente, e ao aproximarem-se do Parque das Nações os nossos convidados foram captivados pelos prédios cujas formas distintas criavam silhuetas impressionantes no horizonte.

O jantar do terceiro dia foi patrocinado pela empresa D & D Audiovisuais no restaurante ‘A Charcutaria’. Ao longo da noite o grupo aproveitou para fazer perguntas aos colegas portugueses sobre as suas experiências e as realidades concretas envolvidas no processo de uma realização a partir dos inúmeros locais visitados. Os temas mais focados foram o tipo de autorizações necessárias, o nível de cooperação por parte dos residentes e municípios em causa, bem como os custos.

As respostas dos anfitriões, baseadas na sua larga e impressionante experiência profissional, deixaram-nos seguros de que o país é de facto mais do que capaz de lidar com produções das mais variadas dimensões e que estaria preparada para os auxiliar e acomodar sem grandes dificuldades. De especial interesse foi também a informação de que Portugal tem tanta diversidade de ambientes num espaço relativamente pequeno, facto que se traduziu no feedback positivo do grupo - cujas dúvidas já tinham sido quase completamente resolvidas.

O último dia da visita iniciou-se com uma reunião com a recém-criada Lisbon Film Commission (ou Gabinete de Apoio ao Cinema e Audiovisual, dependente da Câmara Municipal de Lisboa), que se traduziu numa importante troca de informações e experiências e que todas as partes envolvidas classificaram como muito útil.

A seu pedido, o grupo regressou à zona das Amoreiras que no dia anterior tinha despertado o seu interesse. Uma fantasia selvagem de cor de rosa e azul, o complexo é visualmente espantoso, um look que o seu criador e arquitecto Tomás Taveira classificou como neomoderno, que há época gerou polémica por não se enquadrar com os restantes edíficios já existentes na zona.

Uma breve passagem pelo magnífico Palácio dos Condes de Óbidos, nas Janelas Verdes, actual sede nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, comprovou a ampla oferta de Lisboa para produções históricas ou ambientes mais formais.

A última zona explorada (e a mais aguardada) antes de partirem para o aeroporto foi o Parque das Nações. Renovada completamente para o Expo de 1998 a parte oriental da cidade agora destaca-se pela sua arquitectura moderna e futurística contrastando completamente com o centro histórico.

A Gare de Oriente cujos pilares brancos e estreitos junto com o telhado de vidro lhes deram a impressão de palmeiras interligadas, foi classificada como um dos seus elementos favoritos.

O fim de uma visita preenchida e promissora foi celebrado com uma rodada de cocktails gentilmente oferecidas pelo Casino de lisboa. A partir do original bar rotativo do Casino, que mimetiza uma roleta, apreciou-se a arquitectura minimalista e contemporânea, enquanto se reflectia sobre os dias anteriores.

Ao longo do percurso da visita tornaram-se visíveis as diferentes experiências e necessidades de cada um destes profissionais, através da forma como cada um descrevia aquilo que via ou do tipo de imagens que os atraíam. Alguns procuravam locais que personificavam Portugal e que davam mais autenticidade a uma cena. A outros só lhes interessava encontrar locais anónimos, que não ligassem a cena a nenhum país em particular.

É de notar que não lhes importava necessariamente a beleza de um local; os factores que pesavam mais tinham a ver principalmente com questões de acesso, autorizações e cooperação. Tendo isto em consideração, entendia-se que não tinham vindo como turistas, e que se aproximavam à cidade e os locais visitados de uma maneira distinta e com um próposito específico.

Ficou claro ao fim da semana o enorme potencial que o grupo considerava ter a cidade e a sua periferia. Que Portugal é um local digno de ser filmado foi facto considerado inquestionável, dada a diversidade de locais e paisagam ao alcance dos profissionais. Sublinhada foi também a importância de alertar as entidades responsavéis para a necessidade de facilitar a realização deste tipo de projectos, constituindo gabinetes especializados, dada também as potenciais vantagens monetárias para os munícipios envolvidos.

Fazer com que as pessoas e munícipios entendam as inúmeras vantagens envolvidas numa produção ou operação criativa é, segundo os Location Managers, uma das maiores prioridades. Investir nesta indústria representará um investimento no próprio país, investimento esse que vai muito além da promoção turística. É imprescindível dar a conhecer a estatistíca encorajadora que diz que em cada cinco dólares gasto no total da produção, dois representam gastos em táxis, hotéis, refeições, etc, reflectindo-se assim na economia real.

Não se podem contestar também os efeitos positivos (a médio/longo prazo) do investimento nesta indústria ao nível do Turismo. A exposição do país poderá gerar receitas durante longos anos. A vinda de produções estrangeiras deve ser vista como uma possível fonte de empregos, oportunitidades de aprendizagem, bem como de impulso vital para a indústria cinematográfica e publicitária nacional, já reconhecida mundialmente pelos seus excelentes profissionais e técnicos.

Várias visitas do género desta Fam Trip (viagem de Familiarização) têm contríbuido para o desenvolvimento do Film Tourism em vários pontos do globo.
Recentemente, no seguimento de uma iniciativa semelhante por parte da Film Commission do Tenerife, e devido à recomendação de um dos location managers presentes nessa visita, foi anunciado que o novo filme “Clash of the Titans” vai ser filmado na ilha e estima-se que nos dois meses que ali estiver instalada, a produção gerará cerca de dois milhões de euros… Dá que pensar.

Quanto a nós, resta-nos agradecer a todas as entidades envolvidas, que gentilmente nos apoiaram, muito em particular ao Turismo de Lisboa (www.visitlisboa.com), sem o qual esta iniciativa não teria sido possível, e esperamos que esta seja apenas a primeira de muitas iniciativas do género, a nível nacional.

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