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Nuno Amado

Desde há cerca de um ano Presidente do Santander Totta, Nuno Amado falou à Essential
do seu percurso e dos desafios que enfrenta o banco no ano em que o Grupo Santander comemora o seu 150ª aniversário

Encompassing the World: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries”
O patrocínio a esta exposição levou-nos a falar com o homem que gere os destinos do Banco ­Santander Totta: Nuno Amado.

De semblante tranquilo e descrito por quem o conhece como pessoa afável e amigo do próximo, Nuno Amado é Presidente do Banco Santander Totta há cerca de um ano, depois de ter sido ­vice-presidente e anteriormente ter tido a responsabilidade do pelouro de meios e comercial. Diz-nos que o principal desafio foi e é assumir o legado do ­António Horta Osório “pelo seu profissionalismo, ­carisma e a excepcional visão”. No Santander desde 1997, recorda como um dos melhores momentos a aquisição do Totta e do CPP pela dificuldade da operação e complexidade da integração de um banco mais pequeno (o Santander Portugal) com dois bancos muito maiores, com culturas próprias e uma forte presença no mercado.

A integração do Totta trouxe ao Santander ­diferentes mais-valias, sendo uma delas, menos ­falada, o espólio de obras de arte pertencente ao primeiro. Este espólio é constituído fundamentalmente por tapeçarias de Portalegre e pintura a óleo de autores portugueses desde finais do século XIX. O Santander Portugal, por seu lado, apostou  mais em pintura de autores contemporâneos. “Como banco centenário, tinha ao longo dos ­tempos reunido peças artísticas de qualidade que, embora tenham vindo a ser utilizadas para a decoração dos espaços interiores, não deixam de significar para nós uma colecção coerente e uma mais valia cultural que fazemos questão de partilhar com o público em geral”, diz-nos. Esta é também uma política seguida pelo Grupo Santander, possuidor de uma vasta colecção de arte e de espaços ­qualificados para a realização de exposições que obedecem a uma programação anual.

Mas mais do que a arte, é o ensino e o conhecimento que constituem o eixo da política de ­responsabilidade social do Banco. “O Santander Totta e o Grupo Santander estão conscientes que a investigação universitária é um dos principais ­motores de desenvolvimento da nossa sociedade em que o capital humano é um factor chave”, diz Nuno Amado, com convicção. “Por isso e desde há muito que investimos na colaboração com os ­centros de ensino universitário, como base para o crescimento de uma sociedade melhor, mais justa, mais eficaz e, em definitivo, mais sustentável.”

É neste âmbito que surge o patrocínio da ­exposição “Encompassing the World: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries”, organizada este ano pelo Smithsonian Institution em  Washington. “A possibilidade de fazer parte do núcleo de patrocinadores principais da Exposição a par do Sultanato de Oman, neste contexto, ­pareceu-nos particularmente oportuna uma vez que surge no seguimento dos trabalhos que temos vindo a apoiar”, refere o presidente do ­Santander Totta. Nuno Amado destaca o patrocínio do Banco à realização de duas obras de investigação, da autoria do Professor Pedro Dias, sobre a influência dos portugueses no mundo: “De Goa a Pangim. Memórias tangíveis da Capital do ­Estado Português da Índia” e “Portugal e Ceilão. ­Baluartes, marfim e pedraria”.

O patrocínio à exposição do Smithsonian ­enquadra-se igualmente nas comemorações do 150º aniversário do Grupo Santander, não constituindo uma iniciativa isolada, antes faz parte de um programa de investimento continuado do Banco na investigação universitária e na divulgação aprofundada de temas relacionados com o desenvolvimento cultural, sociológico e económico. “Acresce que, como pude comprovar in loco, o prestígio e a força do Smithsonian catapultam o impacto artístico da exposição para níveis inigualáveis nos ­Estados Unidos, quer em expressão quer em qualidade dos visitantes e destinatários da mesma.”

O Banco tem uma forte aposta no ensino ­superior enquanto vector da sua política de respon­sabilidade. A ilustrá-lo, o Santander Totta tem ­protocolos assinados com 38 universidades portuguesas que abrangem mais de 70% dos alunos do Ensino Superior em Portugal, e tem instalados nas universidades 49 Salas Universia com cerca de 1000 computadores com ligação à internet, que permitem à comunidade académica a utilização das novas tecnologias como meio de transferência de conhecimento, inovação e produção de conteúdos científicos. Nuno Amado explica que “um exemplo claro deste nosso forte apoio ao Ensino universitário é o recente programa de Bolsas Luso-Brasileiras Santander Universidades, que concederá cada ano 324 bolsas a estudantes portugueses para estudarem em Universidades Brasileiras, e a estudantes brasileiros para estudarem em Universidades ­Portuguesas.” Uma outra iniciativa no âmbito do ­ensino superior é o conhecido Prémio Primus Inter Pares, um prémio atribuído anualmente aos ­melhores alunos de gestão e economia e que já é uma referência no meio universitário. Em cada ano são seleccionados os três melhores alunos, que ­recebem 3 MBA’s nas mais prestigiadas Universidades portuguesas e estrangeiras, entre elas, a Nova, a Católica, o INSEAD e o IESE.

Este é o ano em que o banco comemora o seu 150º aniversário e para o assinalar Nuno Amado diz que “ao longo do ano decorrerão diversas actividades que realizaremos em conjunto com os nossos empregados, clientes e a sociedade em geral”. Para além do apoio específico à Exposição “Encompassing the World: Portugal and the World in the 16th and 17th Centuries”, da Organização da Mostra Virtual na Rua do Ouro e do Lançamento do Atlas da Arte Portuguesa no Mundo” o Presidente do Santander Totta destaca a campanha interna para os colaboradores do banco sob o slogan ­“Santander és tu”, que tem como objectivo reforçar as vantagens de trabalhar num grupo como o Santander, o programa de recolha de sugestões juntos dos colaboradores “Ideias com Valor” e a Acção de Intercâmbio de colaboradores em todo o Grupo. Deixando a expectativa no ar, Nuno Amado revela sem adiantar pormenores que em termos de ­comemorações propriamente ditas “estamos a planear um evento extraordinário para Outubro que vai envolver os stakeholders mais importantes do Banco”. A nível internacional, o Banco aposta no aumento da sua notoriedade a nível global e para isso aposta em patrocínios desportivos no campo da Fórmula 1 - com o apoio à equipa da McLaren - e a alguns eventos desportivos. “Nos mercados em que o banco concentra a sua presença, mais de 700 ­mi­­lhões de espectadores irão acompanhar as corridas ao longo da temporada”, esclarece Nuno Amado.

Num banco com uma presença global, a oportunidade de carreira internacional é um facto mas Nuno Amado diz que “não é algo que esteja no meu horizonte, pelo meu compromisso actual e pelo caminho que ainda temos que percorrer”. Diz que o seu grande objectivo, para além da angariação de mais clientes, é fidelizar os actuais e para isso “é fundamental criar uma maior proximidade com os clientes e ter mais balcões, uma rede mais ­capilar. Queremos ser o banco de referência em Portugal”, diz convictamente. Na análise que faz do sector bancário em Portugal, diz que é um dos mais competitivos da nossa economia, desempenhando um papel fundamental na recuperação económica. Para isso, deverá estar preparado para responder com maior rigor e rapidez à crescente procura de produtos e serviços, cada vez mais sofisticada, por parte do público em geral e em particular dos seus clientes, resposta essa que “só será assegurada através da permanente actualização dos sistemas de informação, tecnologia e desenvolvimento que possibilitem uma crescente inovação ao nível de produtos e serviços e a sua oferta ao melhor preço”.

Nuno Amado é também Vice-Presidente da ­Câmara do Comércio e Indústria Luso-Espanhola e nesta qualidade destaca “a importância que o ­mercado espanhol tem para Portugal. Os dados ­disponíveis de final de 2006 indicam que o mercado espanhol é o destino de cerca de 27% das nossas exportações. Também nas importações Espanha é a origem de cerca de 30% do total nacional. Ou seja, a Espanha é actualmente o nosso principal parceiro económico em fluxos comerciais, com balança comercial favorável a Espanha, mas com alguma recuperação do nosso país nos ­últimos anos.” Refere que a Câmara tem um papel fundamental “no apoio aos empresários, no ­fomento do intercâmbio comercial e económico entre Portugal e Espanha, nomeadamente, na ­assistência e apoio às empresas que desenvolvam a sua actividade nos dois países, no facilitar de ­informação e contactos de organismos públicos e de empresas, bem como de outros temas de ­interesse à actividade empresarial, como por ­exemplo licitações, concursos públicos, etc.”.

Com os desafios que encara, Nuno Amado ­retempera forças sempre que pode no Nordeste brasileiro, onde lhe agrada particularmente “a informalidade, o carácter positivo das pessoas, para além do bom tempo e das boas praias”. Mas o verdadeiro descanso obtém-no nas montanhas e geralmente reserva “uma semana durante o Verão para uma ­estadia nos Alpes”. Os fins-de-semana são dedicados às 3 mulheres da sua vida: a mulher e as duas ­filhas. Natural de Torres Vedras, sempre foi um amante do desporto, tendo jogado basket durante vários anos. O mar e as ondas são outro pólo de atracção, tendo-lhe causado alguns dissabores, ­nomeadamente, a fractura de um ombro. Dos ­tempos de juventude, do liceu de Torres e mais tarde do ISCTE, onde tirou Organização e Gestão de Empresas, “o que mais me agrada recordar é a ­‘mistura’ que consegui fazer entre escola, desporto, praia e até política”. Esta polivalência que revelou desde então ser-lhe-á seguramente muito útil agora que está à frente dos destinos de um dos principais bancos do nosso país.

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