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| Claudine de Cadaval - Uma vida de projectos em que a moda e a música ocupam um lugar especial | |
A duquesa de Cadaval, Claudine de seu nome, recebeu-nos na sua mansão, no Estoril com a amabilidade e graça próprias de uma grande senhora. Sempre à-vontade e com boa disposição, a conversa fluiu em torno de temas que lhe são caros. O primeiro, e desde logo, o principal motivo que originou a nossa conversa: o Festival Évora Clássica, que este ano conta com a sua 12ª edição (ver pág. 40). O festival começou de facto como um evento de música clássica, tendo tido desde sempre e até hoje, um grande apoio da Orquestra Gulbenkian. No entanto, pouco a pouco, a sua vocação foi-se alterando no sentido de se tornar mais aberto às manifestações artísticas de diferentes origens e países, com uma forte predominância do Oriente, assumindo hoje um carácter de um festival de música do mundo.
Nascida na Normandia, quando se aproximava o final da 2ª Guerra, cedo vai para Paris e aí passa a sua adolescência até conhecer o grande amor da sua vida: D. Jaime Álvares Pereira de Melo, Duque de Cadaval. Casam quando tem 20 anos e não mais se separam até ao falecimento do Duque. Recorda desses tempos a vida social intensa que tinham na Europa e nos Estados Unidos e refere com naturalidade que a moda fazia parte dessa vivência. Visitavam com frequência Portugal, que nesses anos acolhia alguns membros da realeza exilados, como o rei Humberto de Itália, o Conde de Barcelona e o futuro rei de Espanha, a rainha da Bulgária, a rainha da Roménia, entre outros.
A sua figura elegante e porte distinto faria com que fosse fotografada por inúmeras revistas de moda, sempre desejosas de ter na suas páginas nomes sonantes da aristocracia europeia. Visita assídua de casa de Givenchy, revela ter por ele “uma grande amizade, como se fôssemos irmãos. Considero-o um mentor, um homem com uma capacidade sem igual, com um gosto para a moda, a decoração e as artes como nunca conheci ninguém e com o qual me identifico totalmente. Felizmente para ele já está reformado, pois a moda mudou muito.” Actualmente, a sua preferência vai para Oscar de la Renta.
A cabeça, talvez impulsionada pelo coração, fervilha de projectos. Para além do actual Museu existente no Paço Ducal em Évora, o qual integrará a Federação Internacional de Museus, o projecto mais ambicioso é a criação de uma Fundação - a Fundação de Cadaval -, a qual está prevista entrar em funcionamento já para o próximo ano. Esta instituição dedicar-se-á a reunir todos os arquivos históricos referentes à família, disponibilizando-os para investigação histórica e apoiando através de bolsas a realização de trabalhos sobre a história da Casa de Cadaval, a promover exposições de arte contemporânea e a apoiar actividades de carácter cultural, nomeadamente com vista à divulgação do património de Évora. “É para mim uma honra poder dar continuidade ao legado de uma família como a de Cadaval.” De facto, a Casa de Cadaval é uma das mais nobres do nosso país, tendo a mesma varonia que a de Bragança, porque descende de D. Álvaro, 4.º filho de D. Fernando, 2.º duque de Bragança e de sua mulher, a duquesa D. Joana de Castro, filha de D. João de Castro, senhor de Cadaval. O mais recente donatário, entretanto falecido, dos títulos 10º Duque de Cadaval, 12º Marquês de Ferreira e 13º Conde de Tentúgal foi D. Jaime Álvares Pereira de Melo, de que D. Claudine, actual Duquesa de Cadaval, é viúva. Desde casamento, nasceram D. Diana Álvares Pereira de Melo, Marquesa de Ferreira e D. Alexandra Álvares Pereira de Melo Cadaval. Fidelidade a D. Miguel, por altura das guerras liberais, fez com que a família Cadaval saísse de Portugal em 1836, não voltando senão passados 120 anos, já na geração de D. Jaime. Quais as impressões que tem desse Portugal? Com a paixão sempre a moldar-lhe a voz, enaltece a amabilidade dos portugueses e a beleza do país e só lamenta que se conheça pouco Portugal lá fora. “Portugal é um paraíso e está mal divulgado no estrangeiro. Julgo que se vai assistir a um boom do turismo nos próximos anos. Aliás, o nosso futuro, assim como o do resto da Europa, passa pelo turismo.” Será por estar já com os olhos postos no futuro que a Duquesa nos revela ter em curso um importante projecto imobiliário ligado a uma propriedade da família, a Herdade da Mata do Duque, no Ribatejo? Resta-nos esperar um pouco mais para vermos o que nos reserva o seu espírito irrequieto e v. E depois? Em tom descontraído e bem-humorado revela que gostaria muito de escrever dois livros: “um sobre a história da parte ducal da família Cadaval e um outro sobre Givenchy e a minha vida”. Text Carla Marreiros |
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08 September 2010
We are delighted to invite you to our next cocktail evening which will be hosted by BPCC Member Money Mais on Wednesday September 8.
08 September 2010
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Amiga de Givenchy e Yves Saint Laurent, a Duquesa de Cadaval revela-nos a sua paixão pela música e pelo nosso país, que a fez trocar as luzes de Paris e Nova Iorque pelo charme de Lisboa e o recato de Évora.
“Há alguns anos assisti em França a um festival de música que versava sobre o Oriente e impressionou-me tanto que convidei o director artístico para vir conhecer Évora e ver de que forma podíamos estabelecer uma relação com aquele festival. Ele adorou a cidade e desde então o festival Évora Clássica ganhou uma dimensão muito maior e um carácter que, considero, único em Portugal”, explica a Duquesa de Cadaval (Dona Claudine). É patente a sua paixão e envolvimento neste certame. A organização do Festival está a cargo de uma associação sem fins lucrativos, à qual preside. O objectivo desde sempre foi o de “desenvolver em Évora algo único e julgo que temos sido bem sucedidos pois cada ano que passa temos casa cheia.” A própria população adere muito às iniciativas, quiçá pela promoção que é feita nos meios locais ou pela vontade de ver algo diferente. Não esconde o desejo de atrair mais pessoas que não apenas os eborenses de forma a realizar o seu grande desejo: “Que o Festival Évora Clássica tenha uma enorme dimensão, fazendo com que Évora seja mais falada como pólo de cultura , como bem merece, mercê do seu papel na história de Portugal e da sua importância como Património da Humanidade”, diz-nos, com um brilho no olhar e a paixão na voz. Está no bom caminho e deixa escapar que tem algumas ideias a se concretizarem a breve trecho. “Nesta edição terá uma grande importância a presença feminina, o sagrado e o islamismo”, esclarece a Duquesa.
Muito solicitada pelos maiores criadores, Claudine de Cadaval vestia a Haute Couture de Yves Saint Laurent, Givenchy e Valentino. “Abri a primeira loja Valentino em Paris e depois a primeira loja Armani nos EUA, em 1978.” A ligação a Giorgio Armani duraria 6 anos. Abre depois uma loja Lanvin, também em Nova Iorque, que manteria por três anos e por fim uma das primeiras lojas multimarca, com marcas como Carolina Herrera, Óscar de la Renta, entre outras. Na altura, estas marcas estavam presentes nos grandes e requintados armazéns nova-iorquinos mas não nas lojas de rua. Recorda que um dia, Valentino, ao passar pela loja, que se chamava Avenue Montaigne e ficava na Madison Avenue com a 64th Av., ao olhar a sua decoração exclamou: “Esta loja só pode ser da Claudine!” Abriria ainda, do outro lado da rua a Avenue Montaigne II, dedicada em exclusivo a trajes de cocktail, dada a enorme procura que existia, e ainda existe, por parte da sociedade nova-iorquina. Acaba com estes negócios em 1991, por altura da sua vinda definitiva para o nosso país.
Os seus projectos hoje são outros mas passam inequivocamente por Portugal. Mas isso já o adivinhava, quando há anos atrás comentava com o marido que queria que as filhas se sentissem portuguesas e não emigrantes, sempre de um lado para outro, sentindo-se um pouco de tudo e de nada. Diz-lhe que gostaria de vir para Portugal, ao que ele responde que ela não aguentaria nem 5 minutos. Pois é, já lá vão 15 anos e aqui diz sentir-se em casa e ter conseguido criar nas filhas um sentimento de pertença e o cimentar de raízes. Apesar da vivência internacional (Diana nasce em Lausanne, na Suíça, onde o Duque gostava de passar longas temporadas, e Alexandra nasce em Nova Iorque, estando actualmente a tirar uma especialização numa universidade londrina em gestão da indústria musical), hoje a família sente-se 100% portuguesa, tendo os seus referenciais na casa do Estoril e no Paço Ducal em Évora. 

